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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Adeus Suplemento Underground.


Desisti daqui. Despeço-me agora do meu antigo blog.  Nele está uma parte do que fui até agora e do que tentei ser. Não sinto vergonha de quase nada, mas irei seguir em frente com outro blog em uma outra plataforma.  Nele está marcado um Ézio, agora sou outro, com pensamentos diversos, com objetivos diferentes e mais interesses. Este blog retrata um pouco da minha caminhada e um pouco do contexto em que me desenvolvi. Então, não o irei excluir, quem sabe poderá a vir ajudar alguém com alguma informação, como ocorreu várias vezes enquanto estava em atividade. Nunca publiquei muito, ou seja, vocês não irão encontrar milhares de posts, porém a maioria ainda está disponível para a leitura. Só exclui dois que considerei muito pedantes e pessoais. Fora outros excluídos quando ainda escrevia por aqui.
Agradeço a todos que o acompanharam durante o tempo em que esteve em alta e agradeço aqueles que chegarem aqui no futuro. Não esqueçam de comentar mesmo assim, sempre é bom ouvir as opiniões alheias, quando bem fundamentadas, é claro.
Aos que tiveram interesse ou buscarem informações sobre assuntos ou pessoas que aqui foram mencionadas, coloco-me  a disposição para esclarecimentos.

Obrigado Suplemento Underground.


                                                Estou agora no Blog Ao vencedor as Batatas do Carpeaux.

http://venividiperdi.wordpress.com/

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Fernando Dias da Silva



Fernando Dias da Silva


O ano de 2012 não foi um bom período para os quadrinhos. Inúmeros quadrinistas faleceram, entre vários estão Joe Kubert, Moebius, Gutenberg Monteiro e Fernando Dias da Silva. Os últimos, brasileiros, radicados nos Estados Unidos há anos, fazendo naquele país suas carreiras, o que, provavelmente, explique a pouca repercussão de suas mortes no Brasil. Além disso, muitos de seus trabalhos estão esgotados, sendo conhecidos, somente, por colecionadores ou leitores de quadrinhos das "antigas". No caso de Dias da Silva, salienta-se a sua dedicação nos campos da publicidade mais do que nos territórios da nona arte.



Fernando Dias da Silva nasceu no Maranhão em 25 de Junho de 1920. Sua carreira iniciou aos dezesseis anos, em 1937, quando venceu o primeiro concurso de quadrinhos do Suplemento Juvenil (EBAL) com uma história intitulada o “Enigma das pedras vermelhas” (publicada em 1938). Logo depois, convidado pelo dono da editora EBAL, Adolfo Aizen, mudou-se para o Rio de Janeiro. Nessa editora trabalhou também com a revista do Capitão Atlas, onde fez modificações que aproximaram o personagem daquele que o inspirou, Jim das Selvas.
Segundo Luiz Ribeiro, a mudanças realizadas por Dias da Silva não persistiram por muito tempo, pois ele deixou a revista no número seguinte para ir até os EUA. Lá ele “conheceu Alex Raymond. Este teria ficado tão admirado com a semelhança do traço que lhe teria dado um dos roteiros de “Flash Gordon” (algumas páginas, naturalmente)” .

Depois de ir residir nos Estados Unidos em 1959, dedicou-se também a publicidade (desenhos para TV e anúncios de empresas), pintura e as tirinhas “Rex Morgan”.

Ilustração para revista Feminina. Fonte: Mestres da Ilustração, 1970



Fernando Dias da Silva morreu aos 91 anos de idade no dia 05 de Março de 2012, na cidade de Cape Coral/ Flórida.



Fontes:

CORTEZ, Jayme. Mestres da ilustração. São Paulo: Hemus, 1970.

JUNIOR, Gonçalo. A guerra dos Gibis: A formação do mercado editorial brasileiro e a censura aos quadrinhos, 1933-1964. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

RIBEIRO, Antônio Luiz. Fernando Dias da Silva. Disponível em < http://www.guiadosquadrinhos.com/artistabio.aspx?cod_art=5052&nome=Fernando%20Dias%20da%20Silva> Acesso em 29/05/2013.

Chicago Tribune. Disponível em <http://www.legacy.com/obituaries/chicagotribune/obituary.aspx?pid=156571810#fbLoggedOut>. Acesso em 25/01/2013

segunda-feira, 4 de março de 2013

As cores da Zona





Desde os primórdios do cinema seus realizadores preocuparam-se com questões referentes a cor nessa manifestação artística. Muitas foram as técnicas aplicadas ao longo da historia da arte cinematográfica na tentativa de chegar a uma colorização, do filme, ideal. Segundo Ebert (p.1, 2010), os primeiros processos de colorização davam-se quase que artesanalmente, através de uma aplicação manual direta no negativo do filme.     Por serem processos que demandavam um certo trabalho e tempo, alem de não obter uma qualidade satisfatória em sua finalização, a maioria desses tentativas iniciais foram abandonadas.

[...] As tentativas mais bem sucedidas de
registrar a cor natural durante a fotografia do filme foram desenvolvidas a
partir de 1915 nos EUA pela Technicolor .
Primeiramente registrando apenas o verde e o vermelho em duas películas
preto e branco pancromáticas , para depois copia-las num processo de
transferência de pigmentos (dye transfer), estes primeiros processos também
não conseguiam reproduzir com exatidão as cores naturais. Embora a pele
tivesse uma reprodução cromática satisfatória, o céu e o mar eram
reproduzidos em tons de cinza ao invés de azul.
(EBERT, 2010. p 01)

    A busca constante por um processo de colorização do cinema, não impediu que logo após os primeiros processos de colorização industrial, fizesse com que muitos produtores/diretores levantassem a hipótese que esse novo elemento tirasse a atenção dos espectadores daquilo que realmente importava, o enredo do filme. Para demonstrar o contrário, segundo Ebert (p.2, 2010), a Technicolor oferecia uma consultoria aos estúdios de cinema, onde era criada uma paleta de cores para cada tipo específico de roteiro.
    No entanto, a simples consultoria oferecida pela empresa acabou por tornar-se uma imposição estética da Technicolor aos diretores de cinema, eles deveriam seguir as definições da empresa, que possuía a patente mundial do produto, de como as cores deveriam ser utilizadas no filme.

 Segundo o cineasta B. J. Duarte, o Technicolor e a color consultant mais influente, a autoritária Natalie Kalmus, foram os responsáveis por popularizar uma estética do mau gosto, pois a cor não estava associada aos horizontes da expressão artística e da imaginação, mas sim ligada ao domínio cultural do kitsch e da indústria cinematográfica.
(HÉRCULES,2011, p. 67).

    Por esse motivo muitos cineastas recusavam-se a utilizar-se do elemento cor em seus filmes. Não aceitavam assim as regras pré-estabelecidas e simplistas  conduzidas pelas empresas, incapazes de compreender que a cor pertence aos elementos constitutivos de uma imagem, sendo assim “é necessário que as pessoas possuam e usem um referencial mínimo para poder decodificar o universo de imagens o qual invade o seu cotidiano”. (PEREIRA, 2011, p. 20). A interpretação de uma cor também esta sujeita a questões culturais, pois o seu significado e a forma que é interpretada junto aos outros elementos pode dar-se de uma forma diferenciada de um indivíduo de uma nacionalidade para outro de uma nacionalidade distinta. O significado de uma cor então, esta diretamente relacionada ao uso dela por indivíduos de uma cultura.
    Já no término da década de 70, quando a tecnologia de colorização estava mais adianta, o cineasta brasileiro Glauber Rocha reclamava  dos filmes da Kodak, pois era necessário utilizar um filtro na câmera devido a luminosidade dos trópicos, mais forte que aquela dos países acima da linha do equador. Apesar de Glauber recusar-se a utilizar o filtro,  sua equipe usava o filtro porque sua ausência poderia acarretar em danos posteriores no filme, projetado para a luminosidade dos Estados Unidos e Europa.
A Liberdade das Cores:
Durante os anos 60 houve um afrouxamento das regras pela Technicolor, permitindo assim utilizá-las (cor) com um pouco mais de liberdade, a patir disso vários dos cineastas não ligados a indústria de cinema, começaram também a explorar esse elemento. Dessa forma, a cor passava a ser vista como um elemento de valor na narrativa fílmica.
Contudo, alguns cineastas relutaram em aceitá-las mesmo após o afrouxamento das imposições da indústria, entre eles estava o cineasta russo Andrei Tarkovsky. Para Tarkovsky não se tratava de uma atitude cromofobica [1], termo cunhado por  David Batchelor para designar a postura preconceituosa das sociedades euroamericanas a respeito das cores, mas sim pelo fato de o processo mecânico de captação da cor em um filme, impede que o artista tenha domínio do funcionamento desse elemento.

[...] nessa esfera, ele perde a sua função organizadora, e fica impossibilitado de selecionar o que pretende. A partitura cromática do filme, com o seu próprio padrão de desenvolvimento, está ausente, subtraída ao diretor pelo
 processo tecnológico.
       (TARKOVSKY, 1998. p. 165).
Antes de escrever sua auto-biografia, Tarkovsky já havia manifestado seu desinteresse pelo processo de colorização dos filmes. Em uma entrevista em 1966, quando questionado sobre esse assunto, posicionou-se contra esse processo, justificando que a utilização das cores parecia mais um truque comercial, afirmando que nunca vira um só filme que utilizou as cores com eficacia. Posteriormente acabou por utilizar-se das cores, como no filme Stalker, por exemplo.
       Apesar de rejeitar o uso das cores, Tarkovsky sabia dos processos físicos e psicológicos que estão por trás do reconhecimento das cores.
   O também cineasta russo Serguei Eisenstein, apesar de não ter vivido o suficiente para poder usufruir da liberdade que as empresas de fotografia concederam, dedicou muitos ensaios sobre a utilização das cores. E concedeu a elas um grande valor simbólico e de importância para várias manifestações artísticas. Relacionou-as com o som, por exemplo. É através de uma de suas interpretações sobre uma determinada cor que analisaremos o filme Stalker de Tarkovsky.


[1] Segundo Hércules (apud Batchelor, p. 67, 2011) “as sociedades euroamericanas,[...] associam a cor às qualidades que deteriorariam esse orgulho ocidental. A cor é, portanto, desmerecida e apartada da dimensão cotidiana por se ligar ao primitivo, ao infantil, ao inocente, ao irracional, ao oriental, ao feminino; um corpo supérfluo no espaço da cultura...

STALKER:

No filme Stalker (1979), mesmo moderadamente Tarkovsky rende-se as cores, utilizando-se,inclusive, de significados tradicionais delas como elemento constitutivo da sua narrativa.
Em Stalker, Tarkovsky recorre principalmente a duas cores para identificar locais distintos: O mundo é registrado de forma cinzenta, enquanto na zona é exaltado uma tonalidade, principalmente, verde. Podemos ver isso, inclusive, nas águas que são retratadas durante a travessia dos personagens naquele lugar insólito.
O verde em muitos lugares e culturas (religiões) é reconhecido como a cor da esperança. Sentimento esse que leva os personagens à Zona, inclusive o próprio Stalker guarda esse sentimento, esperançoso em poder ajudar as pessoas que guia pela Zona e leva até o quarto dos desejos.
 Porém após entrar na Zona, os personagens começam revelar-se e suas esperanças parecerem ir desaparencendo aos poucos até nada restar. Citando Masuro Kobayashi, com quem se correspondeu através de cartas, Eisenstein vai dizer o seguinte sobre o verdade:

O verde, como outras cores, teve um significado nefando; assim como símbolo da regeneração da alma e da sabedoria, também significou, por oposição, degradação moral e loucura.
O teosofista sueco Swedenborg, dá olhos verdes aos loucos do inferno. Um vitral da catedral de Chartres descreve a tentação de Jesus – Satã, tem pele verde e grandes olhos verdes.
 (EISENSTEIN apud KOBAYASHI, 2002, p. 87).

    Já o cinza, que no filme é a coloração do mundo fora  da Zona, é considerado uma cor neutra em várias culturas também. Segundo Hércules (2011, p. 67), o cinza faz parte da concepção de mundo de uma sociedade cromofóbica. Ela esclarece também que o cinza é uma “cor anunciada como essencialmente neutra desde a criação do círculo cromático de Newton no século XVII”.( HÉRCULES apud PRICE e VACCHE, 2011, p. 67).

CONCLUSÃO:

A utilização de duas cores com significados consagrados em Stalker, revela que suas escolhas não são ao acaso. O cinza, o neutro, de um mundo que não quer mudar, que só enxerga a si mesmo e o verde, a esperança de quem não tem mais nada, só resta a Zona e nada mais. No entanto uma esperança ambígua, que pode ser a salvação ou libertar os desejos mais íntimos de todos nos. A esperança que o escritor e o professor procuraram, mas não quiseram encontrar. A eterna esperança do Stalker

Apesar de suas afirmações que repudiavam a utilização da cor, Tarkovsky soube como poucos trabalhar com elas em prol da narrativa fílmica. Hoje consagrado como obra de arte, Stalker trás a cor como elemento constítutivo chave para o filme, mostrando assim que a cor não é meramente um adorno.

Referências:

EBERT, Carlos. A Cor no Cinema: Colorizados e coloridos. Disponivel em < http://www.aipcinema.com/ficheiros/Conteudos/COR%20E%20CINEMATOGRAFIA%20-%20Carlos%20Ebert.pdf> Acesso em 05 de Janeiro de 2013.

PEREIRA, Inaja Bonning. A cor como elemento constitutivo da linguagem e
narrativa cinematográfica. Unoesc & Ciência – ACHS, Joaçaba, v. 2, n. 1, p. 17-28, jan./jun. 2011.

HÉRCULES, Laura Carvalho. SOB O DOMÍNIO DA COR: CINEMA E PINTURA EM LE BONHEUR (1965) DE AGNÈS VARDA. O Mosaico: R. Pesq. Artes, Curitiba, n. 6, p. 67-77, jul./dez., 2011.

EISENSTEIN, Serguei. O sentido do Filme. 1 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2002.

TARKOVSKY, Andrei. Esculpindo o Tempo. 2º ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

DANTAS, F. S. JUSTINO, L.B. IMAGEM, POESIA E MEIO AMBIENTE EM “STALKER“ DE TARKOVSKY. Disponível em < http://alb.com.br/arquivo-morto/edicoes_anteriores/anais17/txtcompletos/sem05/COLE_3594.pdf> Acesso em 18 de Janeiro de 2013.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Retorno

Eu Voltei:

Após um ano com o blog parado retorno com as postagens. Desta vez tentarei colocar material toda a semana, porém a falta de tempo e o comprometimento com atividades mais "interessantes", da vida real têm ocupado o espaço-tempo que era guardado ao blog. Enfim, espero que daqui para frente minhas postagens sirvam para alguma coisa.

Abração.

sábado, 21 de janeiro de 2012

A Daga sem Fio

Estou entre os escritores, ao lado do Lucas Faria e Dollee, do Blog



   www.adagasemfio.blogspot.com/




  Vocês me encontram por lá enquanto o S.U. esta em recesso.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Feliz Natal e 2012 - Suplemento Underground

video


A qualidade não está boa. O locutor com problemas respiratorios, mas a intenção era deixar uma mensagem.

domingo, 23 de outubro de 2011

E a liberdade Roque Schneider?

 "Todo mundo quer ser livre. Mas a maioria das pessoas ama as grades da sua prisão.
   Há indivíduos que chegam a beijar os grilhões que os oprimem e escravizam".
         - Roque Schneider.