Opção sexual (que hoje, os especialistas afirmam ser cada vez menos uma "opção", e sim uma programação genética associada a questões sócio-culturais), que sempre estão no campo privado da pessoa, e quando muito, das familias, da obrigação estatal de promover a disseminação de valores que façam os jovens perceberem todas as formas de relacionamento como normais, e que sejam passíveis do respeito de TODOS.
O MEC não está tratando de opção sexual, mas do combate ao preconceito e a homofobia, permitindo que se discuta um assunto que diz respeito a muita gente, ou alguém pretende uma sociedade sem homoafetivos?
Quando promove a exibição de atitudes e gestos entre homoafetivos, o MEC sinaliza que esse é um comportamento tão aceitável quanto carícias entre heterossexuais.
Outra confusão promovida pelos homofóbicos, açodados pela mídia canalha que pretende utilizar o tema para sua diuturna campanha de desgaste político do governo: Falar de homoafetividade não induz, nem torna ninguém homoafetivo, mas ainda assim, se a possibilidade de falar sobre o tema permite que pessoas possam assumir suas escolhas de forma mais consciente, não há nada de errado nisso. Sim, porque os homofóbicos dizem não ter preconceito, mas querem impedir que se fale no assunto nas escolas, porque imaginam que o debate possa "contaminar" alguém.
É como se alguém lhe dissesse: "olha, não vamos falar de crime e violência porque você pode optar por se tornar um criminoso"!
Ou pior, para citar um exemplo relacionado a algo que diz respeito aos parlamentares da frente homofóbica: Se falar sobre o tema em sala "contamina", então tornemos inconstitucional o ensino religioso, pois essa intervenção pública em assunto privado pode "induzir" a mudança de religião, ou o surgimento de constrangimento, ou aumentar o preconceito de determinadas adeptos em relação a outros.
Dá nojo ver a maior parte da sociedade vociferando contra o vídeo (a enorme maioria sequer assistiu, e só viu pedaços editados pela mídia homofóbica), quando essa mesma sociedade incentiva, e goza com a erotização precoce de nossas meninas, a exploração sexual da imagem de mulheres (como pedaços de carne expostas em anúncios de carros, cigarros, roupas, etc), com o abuso da exposição de imagens de violência gratuita, apelo ao consumismo, etc, etc, etc.
Essa sociedade que bate palma para propaganda de consumo de álcool, em horário onde as crianças estão na sala.
Tudo em nome da liberdade de expressão, que na verdade, nada mais é que a preguiça e incapacidade de discutir os limites da produção de conteúdo pelas empresas de comunicação e agências de propaganda, veiculado em concessões públicas, onde pais preocupados com beijos lésbicos ou insinuações a homoafetividade masculina nas escolas, permitem que seus filhos vejam de tudo na internet e TV. Querem os pais, como sempre, que a escola seja um modelo daquilo que nunca fazem em casa. Porque não querem, porque não sabem como fazer, ou tudo isso junto.
É só observar as queixas de professores sobre o comportamento dos meninos e meninas, o grau de animosidade e violência muito superior que as expectativas para essa faixa etária, que ironica e tristemente, repercutem nas redes sociais, na grande rede, em vídeos gravados com requintes de sadismo.
Ao patrocinar a homofobia, parlamentares, mídia, pais, alimentam as fogueiras "santas", e aumentam as possibilidades de eventos de intolerância.
É sempre bom lembrar que essa sociedade que está aí, com jovens insandecidos, é resultado de anos e anos de repressão e preconceito contra minorias.
Ao contrário do que pregam os homofóbicos, não foi o debate franco sobre sexualidade, drogas e outros temas polêmicos que tornou a maioria dos nossos jovens o tormento que são hoje, mas justamente o contrário.
A hipocrisia que alimenta a selvageria 2
Alguns comentários sobre a decisão da presidenta Dilma acerca do MEC e dos vídeos e outros materiais anti-homofobia:
1. Perde a sociedade como um todo, perde a Democracia e o Estado laico, embora alguns digam que o jogo de pressões é legítimo no Estado de Direito. Pode ser, mas como sempre digo, nem sempre a maioria está certa(será que oito judeus em uma sala podem decidir matar dois palestinos só porque eles estão em minoria?);
2. Perde o ministro da Educação, que teve a coragem de enfrentar o debate, e portanto, diante de tal situação, deveria entregar o cargo, junto com toda sua equipe;
3. Se a presidenta não confia em sua equipe, e é incapaz de delegar decisões desse porte, para quê ministros? Será que Fernando Haddad, depois de anos no governo, inclusive convivendo com Dilma na Casa Civil, não a informou sobre o que faria? Na conta de quem ficará o recuo? Que governo é esse que se dobra ao fanatismo religioso?
Não quero aqui fazer coro aos que identificam nessa e em outras atitudes, uma inflexão conservadora da presidenta, e pior, como antagonista de Lula. Não podemos morder essa isca, até porque Dilma só existe porque existiu Lula, é resultado de um governo que ela foi peça central, e mais, em determinados casos Lula foi tão ou mais conservador que ela, como no caso da PF/Daniel Dantas, nos crimes da Ditadura, etc, etc.
Ninguém vai acertar sempre. Mas há temas simbólicos que refletem a conjuntura de um governo, e nesse caso, Dilma simbolizou que está refém da parte mais conservadora da sociedade, embora esse momento não seja irreversível.
Uma infeliz decepção.
Douglas da Mata
planicielamacenta.blogspot.com


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