Breve é o tempo que nos é concedido, mas nesta passagem efêmera
deixamos a marca de nosso entusiasmo e realizações.
Certas palavras emolduram o nome dos que partem. Clovis era o
entusiasmo, a força realizadora, impulso, motivação.
Quando a desafortunada notícia de sua enfermidade retumbou
em nossos ouvidos, em todos nós, seus parceiros, nasceu
aquela esperança teimosa de que sua vontade de viver e
seu senso de decisão iriam se impor sobre o
padecimento derradeiro.
Agora torna-se difícil aceitar que ele não irá mais transitar na rua por
onde passava, não haverá mais de sentar à mesa, com seus convivas,
pelos restaurantes dos bairros da cidade. E sua casa e seu espaço de
comando no programa televisivo estarão marcados por sua ausência.
Sim, Saramago, “morrer é não estar mais”. Mas a morte é uma curva
na estrada, os outros não veem, mas o caminho continua.
Quantas pessoas aprenderam com Clovis a postar-se ante às
câmeras de TV? Por tantos e tantos anos, foi imprimindo
seu nome como marca, seu gesto definindo um estilo, sua
palavra como maneira de chegar às gentes.
Agora é a cerimônia do adeus.
Vinte anos de convívio não é um dia, é um tempo a cunhar
impressões, constância, e porque não dizer, saudade.
Clovis era um arrebatado. Seu time, seu programa, suas amizades,
afeições. Seu filho infante, o Arthur, foi para ele uma reinauguração
da infância. A vida agora lhe alcançava tantas dádivas. E ele as colhia
qual um banquete. E repartia sua vitalidade entre os próximos.
Faltou luz no estúdio. Uma voz já não se ouve. Uma imagem some,
lentamente, qual o sol no entardecer. A cidade, a vida e
o jornalismo continuam, pois é próprio do tempo
saltitar pela alameda das estações.
Mas que não falte a todos que fizeram parte do aceso mundo de
Clovis Duarte um gesto de despedida, um instante de recolhido
silêncio. Uma demonstração inequívoca de lealdade à sua memória.
Se for um crente, tenha uma oração; quem o amou alcance a fugaz
beleza de um ramalhete de flores; se amigo, quem sabe apenas uma
furtiva lágrima. Não existe a morte quando nos referimos às pessoas
que foram profundamente valiosas. E amadas.
Luiz Coronel.
6 horas atrás


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